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Gravidez na adolescência no Brasil: dados, riscos e realidade regional

23/03/2026
Gravidez na adolescência no Brasil: dados, riscos e realidade regional

A gravidez na adolescência segue sendo um problema de saúde pública no Brasil. Em 2024, 273.213 bebês nasceram de mães com até 19 anos no Brasil. Desse total, 12.004 eram filhos de meninas entre 10 e 14 anos. Os dados foram compilados pelo Cenário da Infância e Adolescência no Brasil 2026, publicação da Fundação Abrinq, e mostram que, apesar da queda nos últimos anos, a gravidez na adolescência segue sendo um problema de saúde pública no país, com diferenças expressivas entre regiões. 

Gravidez na adolescência

Quantos bebês nascem de mães adolescentes por ano no Brasil? 

Em 2024, a proporção de nascidos vivos de mães com até 19 anos foi de 11,4% do total de nascimentos no país. Em números absolutos: 

  • 261.206 nascimentos de mães entre 15 e 19 anos 
  • 12.004 nascimentos de mães entre 10 e 14 anos 
  • 3 nascimentos de mães com menos de 10 anos 

A taxa de gravidez na adolescência caiu? Como era antes? 

Em 2019, 14,7% dos nascimentos no Brasil eram de mães adolescentes. Em 2024, esse percentual caiu para 11,4%. A queda é consistente e ocorre em todas as regiões do país, mas em velocidades diferentes. 

Gravidez na adolescência por região do Brasil 

A taxa varia consideravelmente dependendo de onde a adolescente vive: 

  • Região Norte: 18,5% dos nascimentos 
  • Região Nordeste: 13,7%  
  • Região Centro-Oeste: 11,5% 
  • Região Sudeste: 8,8% 
  • Região Sul: 8,3% 

Regiões com maior taxa de gravidez na adolescência podem refletir diferenças no acesso à educação sexual, a métodos contraceptivos e a serviços de saúde. 

Gravidez na adolescência tem algum risco maior para a saúde? 

A gravidez na adolescência envolve riscos para a saúde da mãe e do bebê que vão além daqueles já enfrentados em uma gestação de uma pessoa adulta. O corpo de uma adolescente ainda está em desenvolvimento, o que aumenta a probabilidade de complicações durante a gestação e o parto. 

Para a mãe adolescente, os principais riscos incluem: 

  • Pré-eclâmpsia e hipertensão gestacional, condições mais frequentes em adolescentes do que em mulheres adultas; 
  • Anemia, especialmente em adolescentes com alimentação inadequada; 
  • Parto prematuro e maior necessidade de cesárea; 
  • Fístula obstétrica, lesão grave causada por partos prolongados, mais comum em meninas muito jovens. 

Para o bebê, os riscos mais comuns são: 

  • Baixo peso ao nascer, abaixo de 2,5 quilos; 
  • Nascimento prematuro, antes de 37 semanas de gestação; 
  • Maior vulnerabilidade a infecções e complicações no período neonatal. 

Além dos riscos físicos, a gravidez na adolescência está associada à interrupção dos estudos, o que reduz as perspectivas de trabalho e renda ao longo da vida. Adolescentes mães têm menor probabilidade de concluir o ensino médio e maior chance de permanecer em situação de vulnerabilidade econômica na vida adulta. 

No caso de meninas com menos de 14 anos, os riscos se intensificam ainda mais, já que o organismo está menos preparado para suportar uma gestação. 

Como a Fundação Abrinq atua? 

A Fundação Abrinq desenvolve o Programa 1000 Dias, iniciativa que atua desde a gestação até os 2 anos de idade da criança. O foco é garantir condições para o desenvolvimento físico, cognitivo e emocional dos bebês, com suporte a gestantes e famílias em situação de vulnerabilidade social, independente da idade da gestante. 

O programa oferece formações para profissionais de Saúde, equipes de educação infantil e de assistência social, com o objetivo de gerar impactos duradouros na vida das crianças e contribuir para a redução da mortalidade infantil e a promoção de uma infância mais saudável.

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