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Fundação Abrinq lança Cenário da Infância e Adolescência no Brasil 2026

09/03/2026
Fundação Abrinq lança Cenário da Infância e Adolescência no Brasil 2026

A Fundação Abrinq lançou a nova edição do Cenário da Infância e Adolescência no Brasil 2026, publicação anual produzida desde 2014 com base em dados oficiais. O estudo reúne indicadores sociais e apresenta um panorama das condições de vida de crianças e adolescentes no país. 

A edição de 2026 consolida informações recentes e séries históricas que permitem acompanhar tendências ao longo da última década. Dados atuais apontam estagnação em indicadores centrais, avanço pontual na redução da gravidez na adolescência e manutenção de níveis elevados de pobreza que atingem de forma mais intensa a população infantil.

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“A publicação não se limita a apresentar números isolados. Ela mostra tendências, compara regiões e evidencia onde as políticas públicas estão conseguindo produzir resultados e onde há estagnação. Esse acompanhamento é indispensável para evitar retrocessos e direcionar melhor os recursos públicos”, afirma Victor Graça, superintendente da Fundação Abrinq.

Mortalidade infantil permanece sem redução

A taxa de mortalidade infantil manteve-se em 12,6 óbitos por mil nascidos vivos em 2024, repetindo o patamar registrado em 2022 e 2023. Considerando a média da última década, o índice não apresenta redução. A mortalidade na infância, que inclui crianças de até 5 anos, foi de 14,9 por mil em 2024, também caracterizando estagnação. 

Já as diferenças regionais seguem presentes. Em 2024, a mortalidade infantil foi de 15,7 por mil nascidos vivos na Região Norte e de 13,5 no Nordeste, ambos acima da média nacional. No Sudeste, o índice foi 11,7; no Centro-Oeste, 12,6; e no Sul, 10,4, o menor do país.

Baixo peso ao nascer atinge maior percentual da série 

O estudo mostra aumento no percentual de bebês com baixo peso ao nascer. Em 2024, 9,5% dos nascidos vivos tinham menos de 2,5 quilos, maior valor da série histórica e terceiro ano consecutivo em patamar elevado. Em 2015, essa proporção era de 8,4%. 

Na nutrição infantil, 3,6% das crianças de até 5 anos estavam com baixo peso para a idade em 2024. O déficit de altura baixa ou muito baixa atingia 11,7% nessa faixa etária. Em 2019, o percentual era de 13,4%. Embora tenha redução em relação a esse ano, mais de uma em cada dez crianças apresenta comprometimento no crescimento. 

O excesso de peso também integra o cenário. Entre crianças de até 5 anos, 5,8% estavam acima do peso recomendado em 2024, cerca de 451 mil crianças. Em 2015, o índice era de 8,0%. Já entre crianças de 5 a 10 anos, a obesidade atingiu 9,0% em 2024. O percentual chegou a 10,4% em 2021 e, apesar da queda recente, permanece acima dos níveis observados no início da série histórica. Em números absolutos, mais de 588 mil crianças dessa faixa etária estavam em situação de obesidade.

Gravidez na adolescência mantém trajetória de queda 

A proporção de nascidos vivos de mães com até 19 anos foi de 11,4% em 2024. Em 2019, o percentual era de 14,7%. A redução ocorre em todas as regiões, ainda que em ritmos distintos. 

No Norte, o índice passou de 22,1% para 18,5% no período. No Nordeste, de 17,8% para 13,7%. Sudeste e Sul registraram, em 2024, 8,8% e 8,3%, respectivamente. 

Em números absolutos, o Brasil registrou 273.213 nascidos vivos de mães com até 19 anos em 2024. Desse total, 261.206 eram de adolescentes de 15 a 19 anos e 12.004 de meninas de 10 a 14 anos. Houve ainda três registros de nascimentos de mães com menos de 10 anos. 

Doação

Quatro em cada dez crianças vivem em situação de pobreza 

Em 2024, 24,5% da população brasileira vivia em situação de pobreza, o equivalente a 53,1 milhões de pessoas com renda domiciliar per capita de até meio salário mínimo, cerca de R$ 706 por mês. Pouco mais de 8% estavam em extrema pobreza, com renda de até um quarto do salário mínimo, aproximadamente R$ 353,50 mensais. 

Entre crianças, os percentuais são mais elevados. Segundo a publicação, 40,9% das crianças com até 6 anos e 40,8% das crianças com até 12 anos viviam em situação de pobreza. A extrema pobreza atingia 14,4% das crianças na primeira infância e 14,7% daquelas com até 12 anos. 

O Cenário da Infância e Adolescência no Brasil 2026 está disponível para download clicando aqui e pode ser utilizado por gestores públicos, parlamentares, conselhos de direitos, organizações da sociedade civil e imprensa no acompanhamento de políticas voltadas à garantia de direitos de crianças e adolescentes. 

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