Ao longo de 2025, a Fundação Abrinq por meio do Projeto Brincar, consolidou-se como uma política educacional potente, sensível e conectada à realidade das escolas públicas brasileiras. Presente em São Paulo - SP e Neópolis - SE, o projeto reafirmou que brincar é caminho, linguagem e estratégia pedagógica capaz de mobilizar crianças, adolescentes, educadores e famílias.
O ano foi marcado por formações qualificadas, escuta ativa das redes de ensino, produção de evidências, fortalecimento da prática docente e resultados visíveis no desenvolvimento integral dos estudantes. Em contextos urbanos complexos ou em territórios afastados dos grandes centros, o brincar mostrou-se um recurso pedagógico acessível e transformador.
Alcance e dimensão do Projeto Brincar em 2025
A Fundação Abrinq e o Projeto Brincar estiveram presentes sem 23 unidades escolares, sendo 7 escolas em São Paulo - SP e 16 unidades em Neópolis - SE, alcançando diretamente 4.760 crianças e adolescentes e capacitando 413 profissionais da educação.
Em São Paulo - SP, participaram do projeto 2.496 crianças e adolescentes, acompanhados por 296 profissionais da educação, distribuídos nas seguintes unidades:
- Centro Municipal de Educação Infantil (CEMEI) Carmelo Calli
- Centro Municipal de Educação Infantil (CEMEI) Casa Blanca I
- Centro Educacional Unificado (CEU) Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) Casa Blanca
- Centro Educacional Unificado (CEU) Escola Municipal de Educação Infantil Feitiço da Vila
- Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) Andorinha dos Beirais
- Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) Donato Susumo Kimura
- Centros de Educação Infantil (CEI) Centros Educacionais Unificados (CEU) São Rafael

Já em Neópolis - SE, o projeto beneficiou 2.264 crianças e adolescentes, com a participação de 117 profissionais, abrangendo escolas urbanas e rurais:
- Centro Educacional José da Silva Peixoto
- Centro Educacional Municipal Tiradentes
- Creche Beatriz Machado Barreto Lima
- Escola Municipal Eronildes Gomes do Sacramento
- Escola Municipal Hidelbrando Torres de Souza
- Escola Municipal Joaquim de Medeiros Chaves
- Escola Municipal Manoel Batista Valadão
- Escola Municipal Manoel Tenório
- Escola Municipal Professora Lizete Gomes da Silva
- Escola Municipal Valdenice Pinheiro Vieira
- Escola Municipal Vereador Francisco Duda da Silva
- Escola Rural Bráulio de Aguiar Cardoso
- Escola Rural Carlos Torres de Souza
- Escola Rural Gerônimo Vieira Bastos
- Escola Rural Projeto Brasília
- Escola Rural Sebastião Campos de Jesus Lima
Esse alcance apresenta números expressivos, o que reforça a capacidade do Projeto Brincar de dialogar com diferentes contextos territoriais e pedagógicos.
Formação docente e mudança concreta da prática pedagógica
Um dos pilares do Projeto Brincar em 2025 foi a formação continuada de professores e gestores. As trilhas formativas ofereceram subsídios teóricos e práticos para que o brincar fosse compreendido como recurso pedagógico intencional, alinhado à Base Nacional Comum Curricular e aos currículos locais.
Os resultados dessas formações foram percebidos diretamente no cotidiano escolar. Na EMEI Andorinha dos Beiras, a coordenadora pedagógica, Nazaré Dagmar Rios, relata que aumento da segurança pedagógica, ampliação do repertório de práticas, maior criatividade no planejamento das aulas e fortalecimento da intencionalidade educativa. “A formação foi um encontro bonito. Desde o início, fiz questão de dizer à equipe que a formação não vinha para nos ensinar a brincar, porque o brincar já é, há muito tempo, a linguagem principal das nossas infâncias. Ele veio somar, provocar, confirmar caminhos e ampliar olhares. Ao longo do percurso, fomos fortalecendo convicções e abrindo novas possibilidades. As reflexões propostas dialogaram com aquilo que já vivenciamos no cotidiano: uma escola que escuta as crianças, que reconhece o brincar como direito e que compreende que é brincando que elas pensam, sentem, criam, se relacionam e se constituem.”
Nas salas de aula, as transformações tornaram-se visíveis. Crianças demonstraram maior participação, avanços consistentes em leitura e escrita, redução da timidez e entusiasmo renovado com a rotina escolar. O vínculo entre professores e estudantes foi fortalecido, criando ambientes de aprendizagem mais acolhedores, cooperativos e significativos.
Entre adolescentes, especialmente no Ensino Fundamental – Anos Finais, o uso de jogos, desafios e metodologias ativas contribuiu para reduzir a evasão escolar e ampliar o interesse pelas aulas. O brincar, nesse contexto, mostrou-se uma estratégia potente para engajar estudantes historicamente mais distantes da escola.

O brincar como fortalecimento da comunidade escolar
Em Neópolis - SE, a Secretaria Municipal de Educação, por meio da articulação da Secretária Raqueline Souza, viabilizou melhorias na infraestrutura de internet das escolas, garantindo que os professores tivessem acesso individual às formações do projeto e pudessem participar das atividades de maneira mais autônoma e contínua. A gestora também destaca a importância de criar ambientes seguros e adequados para o brincar, tanto dentro quanto fora da escola, como forma de estimular a criatividade, a socialização e o movimento, mesmo diante de desafios como a violência urbana e a escassez de espaços públicos apropriados.
As melhorias na conectividade permitiram que os educadores acompanhassem as aulas ao vivo, de forma individual, utilizando celulares ou notebooks próprios. Antes, as formações aconteciam de maneira coletiva, com dependência de um único equipamento por escola. A mudança ampliou a autonomia dos professores, favoreceu a realização das atividades da trilha formativa e qualificou o processo de aprendizagem docente, fortalecendo o engajamento do Projeto Brincar no município.
Nesse contexto, Raqueline ressalta o papel das parcerias institucionais e do investimento na formação docente como estratégias centrais para assegurar experiências lúdicas qualificadas e intencionais no cotidiano escolar. “A Secretaria da Educação de Neópolis agradece à Fundação Abrinq pela parceria e pelo Projeto Brincar. Essa colaboração é fundamental para a formação dos professores e para promover o brincar livre e dirigido, essenciais ao desenvolvimento das nossas crianças. Juntos, estamos construindo um futuro mais criativo e saudável para todos!”
Outro impacto relevante observado ao longo do ano foi o aumento do engajamento familiar e comunitário, especialmente em escolas localizadas em regiões mais afastadas. Em Neópolis - SE, relatos das próprias crianças sobre livros, brinquedos e práticas lúdicas vivenciadas na escola despertaram o interesse das famílias.
Esse movimento resultou no aumento das matrículas em algumas unidades e, em determinados casos, na criação de listas de espera. O brincar atravessou os muros da escola, alcançando as casas, fortalecendo a relação família-escola e reafirmando a escola como espaço de acolhimento, aprendizagem e pertencimento.

Instrumental de avaliação: evidências que sustentam a transformação
Em 2025, a Fundação Abrinq por meio do Projeto Brincar avançou de forma significativa na produção de evidências, com a criação de um instrumental de avaliação qualitativa, desenvolvido para analisar o impacto da ludicidade no desenvolvimento integral dos estudantes.
O instrumental surgiu da necessidade de compreender, de forma sistematizada, como o brincar influencia as aprendizagens, as relações e o engajamento escolar. Seu objetivo foi gerar dados consistentes para o aprimoramento do projeto e para fortalecer processos de captação e sustentabilidade institucional.
A avaliação envolveu 157 profissionais da educação, entre professores e gestores, e foi aplicada em todas as unidades participantes, tanto em São Paulo – SP quanto em Neópolis – SE. O formulário foi estruturado de maneira objetiva e acessível, alcançando cerca de 90% de participação das escolas.
Os dados mostram percepções convergentes em diferentes territórios: fortalecimento da prática docente, aproximação entre professores e estudantes, redução da evasão escolar, impacto socioemocional positivo e compreensão ampliada de que brincar também é aprender.

Resultados por etapa da educação
Na Educação Infantil de 0 a 1 ano, o brincar foi unanimemente reconhecido como ferramenta de desenvolvimento integral. As experiências lúdicas integraram corpo e mente, pensamento e emoção, promovendo aprendizagens cognitivas, motoras, afetivas e sociais. Educadores destacaram o fortalecimento do protagonismo infantil e a consolidação do brincar como eixo da proposta pedagógica.
Já na Educação Infantil de 2 a 5 anos, os relatos apontaram avanços em linguagem, socialização, motricidade e criatividade. Houve ganhos expressivos em vocabulário, narração, interações verbais, cooperação, autonomia, coordenação motora e expressão artística. O brincar foi identificado como eixo estruturante das aprendizagens nos campos de experiência da Base Nacional Comum Curricula (BNCC).
Nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, os dados indicaram aumento do interesse, maior participação nas aulas, consolidação de aprendizagens, fortalecimento do protagonismo infantil e aproximação afetiva entre professores e alunos. A ludicidade contribuiu para integrar dimensões cognitivas e socioemocionais de forma consistente.
Já nos Anos Finais, o impacto do Projeto Brincar refletiu-se no aumento do engajamento dos estudantes, no fortalecimento da autonomia, da cooperação e do pensamento crítico. As evidências qualitativas indicam avanços nos componentes de Linguagens e Ciências da Natureza, além de aulas mais dinâmicas e criativas, favorecendo a participação ativa dos adolescentes e a ampliação das competências cognitivas, comunicativas e socioemocionais.
Esse movimento também se expressa na forma como o projeto foi incorporado ao cotidiano das unidades. Nazaré destaca que a proposta dialogou com uma concepção de infância já presente na escola e contribuiu para ampliar olhares e práticas. “O Projeto Brincar veio somar, provocar, confirmar caminhos e ampliar olhares. As reflexões dialogaram com uma escola que escuta as crianças e reconhece o brincar como direito”, afirma.
Segundo a coordenadora, as ações vivenciadas ao longo do percurso, como a contação de histórias, a organização de novos espaços brincantes e a chegada de materiais, foram incorporadas de forma orgânica à rotina escolar, fortalecendo um movimento pedagógico já em curso. “Saímos desse percurso com a sensação boa de quem confirma escolhas e, ao mesmo tempo, se sente provocada a seguir aprimorando o que faz”, completa.

O Projeto Brincar
Os resultados alcançados em 2025 fortaleceram o compromisso das redes municipais com a continuidade do Projeto Brincar. Em Neópolis - SE, o município irá instituir o Dia Municipal do Brincar, incluir novos professores nas formações anuais e manter coordenadores e técnicos como multiplicadores da metodologia.
A Fundação Abrinq seguirá apoiando o processo com envio de materiais, sugestões de temas para as formações e instrumentos, monitoramento das ações e compilação de evidências. Para 2026, o município de Embu-Guaçu, em São Paulo, já está confirmado como novo território do projeto, com 32 escolas, contrato assinado e planejamento em andamento.
Em 2025, a Fundação Abrinq consolidou, por meio do Projeto Brincar, uma atuação estruturante na educação pública, capaz de impulsionar aprendizagens significativas, fortalecer vínculos, enfrentar desigualdades e tornar o processo educativo mais humano e sensível às infâncias. O investimento contínuo na formação de professores, no diálogo qualificado com as redes de ensino e na produção consistente de evidências sustentou práticas pedagógicas que respeitam a infância, valorizam o educador e afirmam o brincar como direito fundamental.
Em cada escola e em cada território, o brincar se mostrou que aprender pode ser profundo, intencional e, ao mesmo tempo, leve. E que, quando a escola incorpora essa perspectiva, ela amplia sentidos, ressignifica práticas e se reinventa.