A amamentação é um direito da criança e uma prática que contribui para a saúde da mãe e do bebê. Para que ela seja mantida pelo tempo recomendado, o apoio da família, dos serviços de saúde e do ambiente de trabalho faz diferença. Nesse contexto, as empresas têm um papel importante na construção de condições que permitam às mulheres conciliar o retorno às atividades profissionais com a continuidade da amamentação.
O retorno ao trabalho está entre os fatores que podem levar ao desmame precoce. A interrupção da amamentação nem sempre acontece por escolha da mulher, mas pela ausência de condições adequadas para a extração, o armazenamento e a oferta do leite materno durante a jornada de trabalho.
Criar um ambiente que acolha essa necessidade beneficia a criança, a mãe e também a organização. Quando a empresa adota medidas de apoio, contribui para a promoção da saúde, e favorece a permanência das mulheres no mercado de trabalho e demonstra compromisso com o desenvolvimento da primeira infância.
Como as empresas podem apoiar a amamentação
Entre as iniciativas que podem ser implementadas estão a disponibilização de salas de apoio à amamentação, horários flexíveis para a retirada do leite materno, informação aos gestores e equipes sobre os direitos das trabalhadoras e políticas internas que favoreçam a conciliação entre trabalho e cuidados com os filhos.
As salas de apoio à amamentação são espaços destinados à coleta e ao armazenamento adequado do leite materno durante o expediente. Esses ambientes oferecem privacidade, conforto e condições de higiene para que a mulher mantenha a produção de leite mesmo após o retorno ao trabalho, favorecendo a continuidade da amamentação.
Além da estrutura física, a cultura organizacional também influencia essa experiência. Empresas que orientam lideranças, respeitam os intervalos previstos em lei e promovem um ambiente livre de constrangimentos contribuem para que as trabalhadoras exerçam esse direito com segurança.
A legislação brasileira prevê mecanismos de proteção à maternidade, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) garante intervalos para amamentação até que a criança complete seis meses de idade, período que pode ser ampliado quando houver recomendação médica. Empresas também podem aderir ao Programa Empresa Cidadã, que permite a prorrogação da licença-maternidade para 180 dias, ampliando o tempo de convivência entre mãe e bebê.
Investir em ações de apoio à amamentação também está relacionado à valorização das pessoas. Estudos mostram que ambientes de trabalho que acolhem a maternidade favorecem o bem-estar das trabalhadoras, contribuem para a redução do absenteísmo relacionado à saúde infantil, fortalecem o vínculo entre colaboradores e organização e estimulam a retenção de talentos.
A proteção à amamentação ultrapassa a esfera individual, ela depende de uma rede de apoio formada por famílias, profissionais de saúde, governos e empresas. Quando cada um desses atores assume sua responsabilidade, cria-se um ambiente que favorece o desenvolvimento saudável das crianças desde os primeiros meses de vida.
Promover a amamentação também significa investir no futuro, ao garantir condições para que esse direito seja exercido, as empresas participam da construção de uma sociedade que reconhece a primeira infância como prioridade e compreende que cuidar das crianças começa pelo apoio às pessoas que cuidam delas.
Cada Gota Importa: apoiar a amamentação é uma responsabilidade compartilhada
A campanha Cada Gota Importa, da Fundação Abrinq, apresenta informações, orientações e conteúdos sobre a amamentação sob diferentes perspectivas. A iniciativa aborda desde os benefícios do leite materno até a importância das políticas públicas, das redes de apoio e do compromisso de diferentes setores da sociedade para que esse direito seja efetivamente garantido.