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Série eleições 2026: mortalidade infantil e materna, o desafio que vai testar o próximo governo brasileiro

24/09/2026
Série eleições 2026: mortalidade infantil e materna, o desafio que vai testar o próximo governo brasileiro

12,2. É esse o número de crianças que deixaram de completar um ano de vida para cada mil nascidas vivas no Brasil em 2025, de acordo com o Sistema de Informações sobre Mortalidade, mantido pelo Ministério da Saúde. Quando a conta se estende até os cinco anos de idade, a chamada mortalidade na infância, o índice sobe para 14,9 por mil nascidos vivos, segundo os dados de 2024. O Observatório da Criança e do Adolescente, da Fundação Abrinq, acompanha essas séries históricas e é a partir delas que se pode medir com precisão o tamanho do desafio que espera quem for eleito presidente da República em outubro.

O que os números realmente medem

A taxa de mortalidade infantil calcula os óbitos de crianças com menos de um ano de vida a cada mil nascidos vivos, e funciona como um dos indicadores mais sensíveis da saúde pública brasileira, porque reúne, em um único número, a qualidade do acompanhamento pré-natal, o acesso da população aos serviços de saúde, as condições de moradia e saneamento básico e a renda das famílias. Quando esse índice sobe ou desce, ele carrega consigo o retrato de políticas que funcionaram, ou que faltaram, em áreas que vão muito além dos hospitais e postos de saúde. A mortalidade na infância, por sua vez, amplia essa fotografia para os primeiros cinco anos, período em que doenças infecciosas, desnutrição e acidentes domésticos ainda pesam sobre as estatísticas em regiões com menor infraestrutura sanitária.

Mortalidade materna: o indicador que resiste

Se a mortalidade infantil vem apresentando uma trajetória de queda ao longo dos anos, o mesmo não ocorreu de forma linear com a mortalidade materna. O indicador foi fortemente impactado pela pandemia de covid-19 e, embora tenha voltado a cair nos anos seguintes, o país ainda está distante da meta estabelecida para 2030.

Em 2024, a razão de mortalidade materna no país foi de 56,4 óbitos para cada 100 mil nascidos vivos, conforme dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM-Datasus) consultados pelo Observatório da Saúde Pública. O indicador corresponde a 1.347 mortes maternas registradas naquele ano, considerando óbitos ocorridos durante a gestação, no parto ou até 42 dias após o fim da gravidez.

A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) estima que nove em cada dez mortes maternas na região poderiam ser evitadas com atendimento de qualidade. No Brasil, entre as principais causas de morte materna estão as síndromes hipertensivas, as hemorragias, as infecções puerperais e as complicações do aborto. O país ainda está distante da meta nacional de reduzir a razão de mortalidade materna para 30 óbitos por 100 mil nascidos vivos até 2030.

As desigualdades regionais e raciais atravessam esse cenário: mulheres negras e moradoras de regiões com menor cobertura de pré-natal concentram parte desproporcional dos casos, um padrão que estudos epidemiológicos vêm documentando desde os anos 1990 sem que as causas de fundo tenham mudado de forma significativa.

As bases que sustentaram os avanços até aqui

O Sistema Único de Saúde, criado pela Constituição de 1988, é o alicerce sobre o qual se apoiam o pré-natal gratuito, a rede de maternidades e os programas de vacinação infantil que permitiram ao Brasil reduzir de forma expressiva a mortalidade infantil desde a década de 1990. A Lei 13.257/2016, o Marco Legal da Primeira Infância, ampliou esse arranjo ao determinar que políticas de saúde, educação, assistência social e proteção jurídica das crianças de zero a seis anos passassem a ser tratadas de forma integrada pelo poder público. Esses dois pilares, o sistema de saúde universal e o marco legal da primeira infância, formam a estrutura que o próximo governo vai herdar, com seus avanços e com suas lacunas de financiamento e de capilaridade ainda evidentes nas regiões Norte e Nordeste.

O que está em jogo nas eleições de outubro

A eleição presidencial de outubro ocorre em um momento no qual o financiamento do Sistema Único de Saúde segue como um dos temas de fundo do debate público, especialmente no que diz respeito à manutenção e à ampliação dos serviços voltados à saúde da mulher e da criança. Independentemente do resultado das urnas, a evolução dos indicadores de mortalidade infantil e materna nos próximos anos vai depender de fatores como a continuidade do investimento em atenção primária, a cobertura da rede de pré-natal nas regiões com menor acesso a serviços de saúde e a qualidade da assistência oferecida durante o parto e o puerpério.

Perguntas frequentes

O que é a taxa de mortalidade infantil? 
É o número de óbitos de crianças com menos de um ano de vida para cada mil nascidos vivos em um determinado período. Em 2025, essa taxa foi de 12,2 por mil no Brasil, segundo o Ministério da Saúde.

Qual a diferença entre mortalidade infantil e mortalidade na infância?
A mortalidade infantil considera apenas óbitos no primeiro ano de vida. A mortalidade na infância amplia esse recorte até os cinco anos de idade e, em 2024, ficou em 14,9 por mil nascidos vivos no país.

Por que a maior parte das mortes maternas é considerada evitável? 
Porque decorrem de complicações que a atenção obstétrica adequada, como o controle de hemorragias pós-parto e o manejo correto da pré-eclâmpsia, consegue prevenir ou tratar a tempo. A Organização Pan-Americana da Saúde estima que nove em cada dez óbitos maternos no Brasil poderiam ser evitados.

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