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Adolescência e os desafios na construção da identidade

25/02/2026
Adolescentes na escola

A construção da identidade começa na infância e ganha forma mais definida na adolescência, período que vai até os 18 anos e concentra mudanças físicas, emocionais e sociais que influenciam como meninas e meninos passam a se perceber e a ocupar espaços. É nessa etapa que valores se fortalecem, vínculos ganham peso e decisões começam a desenhar trajetórias.

No Brasil, são mais de 21 milhões de adolescentes entre 12 e 17 anos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), edição de 2019, realizada pelo próprio IBGE em parceria com o Ministério da Saúde, mostrou que 36,7% dos estudantes do 9º ano disseram ter se sentido sozinhos na maior parte do tempo nos 12 meses anteriores à pesquisa. O levantamento também apontou que 23,2% relataram envolvimento em brigas físicas no mesmo período. Os dados ajudam a dimensionar como solidão, conflito e dificuldade de diálogo interferem na construção de pertencimento.

A mesma pesquisa identificou que estudantes que relatam supervisão familiar frequente apresentam menor envolvimento em situações de violência e menor ausência escolar. A presença adulta regular aparece como fator de proteção.

Onde a identidade começa a ganhar forma

É nesse ponto que a escola assume papel determinante na trajetória de milhões de adolescentes, como indicam dados de 2024 do Observatório da Criança e do Adolescente que apontam mais de 7 milhões de matrículas no ensino médio em todo o país, número que mensura a responsabilidade desse espaço na formação juvenil. Escolas das redes públicas que implementaram programas estruturados de convivência e desenvolvimento socioemocional registraram redução em ocorrências disciplinares e melhora na permanência dos estudantes, e quando a mediação de conflitos integra a rotina escolar com acompanhamento contínuo, os índices de evasão tendem a diminuir.

A saúde mental atravessa essa realidade, como mostram estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), que indicam que 50% dos transtornos mentais começam antes dos 14 anos. No Brasil, registros do Sistema de Informação de Agravos de Notificação, do Ministério da Saúde, indicam que os casos de lesão autoprovocada entre adolescentes de 10 a 18 anos passaram de 14.662 notificações em 2011 para mais de 48 mil em 2022. O aumento levou à ampliação de serviços especializados.

O Sistema Único de Saúde (SUS) mantém mais de 300 Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil destinados ao atendimento de crianças e adolescentes com sofrimento psíquico. Essas unidades realizam acompanhamento contínuo e articulam atendimento com escolas e famílias.

O ambiente digital acrescenta outro fator de pressão, é o que aponta a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2023, do Comitê Gestor da Internet no Brasil, que mostrou que 93% dos jovens de 9 a 17 anos usam internet todos os dias. Entre eles, 29% afirmaram já ter sido ofendidos na rede. A exposição constante interfere na autoimagem e intensifica a necessidade de validação pública.

A formação da identidade na adolescência depende de vínculo familiar, permanência escolar e acesso a cuidado em saúde. Quando esses pilares estão presentes, os indicadores de violência e evasão tendem a cair. O que se constrói até o final da adolescência influencia continuidade de estudos, inserção no trabalho e participação social, por isso investir na formação integral de crianças e adolescentes significa reduzir vulnerabilidades e ampliar oportunidades ao longo da vida.

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