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14/07/2017

GABRIEL, 4 ANOS, FILHO DO TRÁFICO

GABRIEL, 4 ANOS, FILHO DO TRÁFICO

Quem via Gabriel aos 4 anos de idade, em uma organização de atendimento a crianças em São Paulo, mal podia imaginar que aquelas mãozinhas tão pequenas já manuseavam com facilidade pedras de crack.

Gabriel era mais um “aviãozinho”, como a população costuma chamar as crianças envolvidas na realização de entregas de drogas na triste rotina do tráfico.

Os “aviõezinhos”, ou “mulas” como são conhecidos na cidade de Gabriel, recebem em troca deste “serviço de entrega” uma quantia pequena de entorpecentes. Seus pais, usuários de drogas, se beneficiavam desta troca. Gabriel era filho do tráfico.

“Quem convivia com Gabriel não imaginava. Ele era sempre muito brincalhão, animado. Porém, havia uma carência de afeto familiar e cuidado”, comenta a educadora da organização, Carla Soares.

A organização, conveniada pelo Programa Nossas Crianças (PNC) da Fundação Abrinq, têm como um de seus principais eixos de atuação o fortalecimento dos vínculos familiares.

Uma das preocupações da organização é a aproximação das crianças com a família, para que os pais percebam a importância do brincar e de se envolver com os filhos por meio de atividades lúdicas. “Muitos pais não brincam com os filhos. A gente percebe que hoje a família está muito longe das crianças”, reflete Carla.

Foi então que, em uma das atividades promovidas na organização em sua brinquedoteca, surgiu a oportunidade de reunir o Gabriel e a mãe. “A mãe veio até a instituição para brincar de casinha com o filho. Ela não estava bem, estava um pouco fora de si por conta do uso de drogas. Então, ele brincou de cuidar dela. A mulher sentou em uma pequena penteadeira de brinquedo e ele passou um batom nela, como sinal de afeto. A cena foi tão linda que registramos esse momento em uma foto, que temos até hoje”, conta a coordenadora.

Com o auxílio da organização, Gabriel conseguiu deixar sua atividade como “aviãozinho”. Graças a sua contribuição, conseguimos ajudar crianças como Gabriel, que precisam de educação, carinho e proteção.


* Nomes fictícios para proteger a identidade das crianças e adultos.